quinta-feira, 30 de março de 2017


Pulsares

Neste sopro de incerteza,
Embacia-me o olhar uma lagrima que desperta
E ao avivar da saudade,
é unguento da certeza do momento.
Ergo a voz.
No silencio liberto-a
E retribui-ma o vale no eco do vento...
Qual pulsar no universo da galáxia deste dia,
Que de celeste apenas tem o azul do céu,
Que entre falésias preenche o vazio;
Reflexo espelhado sobre penumbra de véu,
Na quietude das aguas passadas do rio...

                                      J.F.

quinta-feira, 30 de julho de 2015



Ecos

O cântico da chuva cessou nas vidraças,

 O assobio do vento conquistou os silêncios 

 E farrapos de neve teceram um manto branco,

 Que aconchega os telhados vestidos de invernos.

Noutros invernos vozes cantantes

 E aconchegantes brasidos

 Avivaram chaminés fumegantes,

Aqueceram a alma e deliciaram os ouvidos…

Agora são fantasmas inertes, despidos.

 Grita o silêncio em cada janela, cheminé ou postigos;


 Oiço todos aqueles sons, esgotados

E choro o vazio num pranto sentido…


J. F.

sábado, 13 de junho de 2015






















No sorriso

 No sorriso dos teus lábios está uma lágrima,

Estão um desejo e um suspiro escondidos;

Está um poema de improviso,

Estão dois lábios que anseiam um beijo embevecido.

No sorriso estão palavras,

Está um dicionário esculpido,

Que define uma palavra,

Que engloba mil palavras,

Na palavra dum sorriso.

J.F.

terça-feira, 26 de maio de 2015





Ofereço-te Rosas

Ofereço-te rosas,

Porque nas rosas está a essência de todas as coisas,

A primavera do despertar dos sentidos.

Ofereço-te rosas,

Porque é nas suas pétalas

Que está o rubro dos teus lábios

E a volúpia da paixão.

Ofereço-te rosas,

Porque tu, gostas de rosas,

És a mais linda de todas as rosas

E eu Amo a rosa.

                                                                                   J.F.












Ana Cecília


Alvissaras de ti pela madrugada,

No meu peito és a luz anunciada,

Amanhecer duma lua enamorada.


Coroada por uma auréola prateada,

Estrela que brilha intensamente,

Cintilas um olhar enamorado e

Irradias o calor das noites quentes.

Libélula em bailado desconcertante,

Interprete do palpitar deste delírio,

Aprisionada à beleza deste rio.

J.F.
















 
Quando entristeces


Quando entristeces, a primavera veste-se de cinzento,

As flores infletem ao teu olhar

Que, embalado pelo vento,

Deambula entre as linhas oblíquas da chuva

Que copiosamente cai, vestida de nostalgia.

Quando entristeces, perdes- te no labirinto da luz embaciada,

Onde guardas o baú das lágrimas de cristal;

A um piropo, improvisado, respondes com um sorriso elástico

E decoras o estendal da alma entristecida

Que, ao meu olhar, não passou despercebida.

J.F.